Terça-feira, 17 de Março de 2009

1383-85 - Um Tempo de Revolução


 

 
1383-1385
UM TEMPO DE REVOLUÇÃO
A MORTE DE D. FERNANDO
 E O PROBLEMA DE SUCESSÃO

O reinado de D. Fernando foi marcado por maus anos agrícolas que provocaram fomes.

 A peste negra  provocou a diminuição da população.
 
 
 
 Caça ao Tesouro sobre a Peste Negra

 

A produção foi menor e os  rendimentos do clero e da nobreza baixaram.
Para tentar resolver a crise agrícola, D. Fernando publica a Lei das Sesmarias (1375)( obrigava os camponeses a trabalhar as terras abandonadas). Mas esta lei não resolveu a crise agrícola.
As guerras com Castela agravaram a situação.
 
Em 1383, com a morte de D. Fernando, surge um grave problema de sucessão.
 
            Pelo Tratado de Salvaterra de Magos, D. Leonor Teles ficaria regente. Esta mandou aclamar D. Beatriz rainha de Portugal.
            A maior parte da Nobreza e Cleroaceitou D. Beatriz como rainha, mas oPovo, a Burguesia e um pequeno número de elementos da Nobreza  revoltaram-se.

 

 

1383-85 - Um Tempo de Revolução

 

A crise económica

Na segunda metade do século XIV, Portugal viveu tempos difíceis: más condições climatéricas,  guerras com Castela, fomes e doenças, especialmente a Peste Negra.

A Peste Negra foi uma grande epidemia que alastrou por toda a Europa; em Portugal matou cerca de um terço da população (500 000 pessoas).

 

 

O povo de Lisboa exaltado

O pajem do mestre de Avis começou a ir a galope em cima do cavalo em que estava, dizendo em altas vozes:

- Matam o mestre! Matam o mestre nos paços da Rainha. Acorrei ao mestre que matam.

(...) As gentes, que isto ouviram, saíram à rua a ver que cousa era (...) e começavam de tomar armas, cada um como melhor podia. (...)

Unidos num só desejo foram às portas do paço (...).

De cima não faltava quem dissesse que o mestre era vivo e o conde Andeiro morto. Mas isto não queria nenhum crer, dizendo:

- Pois se é vivo, mostrai-no-lo e vê-lo-emos!

(...) Ali se mostrou o mestre a uma grande janela que vinha sobre a rua...

- Amigos, pacificai-vos! Cá eu estou vivo e são, graças a Deus!

Fernão Lopes, Crónica de D. João I (adaptado)

 

 
 

A invasão castelhana

Perante o clima de revolta que se vive, D. Leonor foge para Santarém e pede ajuda ao rei de Castela.

Receando a invasão castelhana, o povo de Lisboa escolhe o Mestre de Avis como Regedor e Defensor do Reino. A burguesia também o apoia, sobretudo com dinheiro para preparar o exército.

O rei de Castela invade então Portugal. A chefiar o exército português está D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável. Os portugueses vencem a Batalha dos Atoleiros, no Alentejo, utilizando a táctica do quadrado (que vem a ser novamente usada na Batalha de Aljubarrota). O rei de Castela cerca Lisboa e quase vence, mas tem de levantar o cerco devido a uma epidemia de peste.

Entretanto, e dada a gravidade da situação, reúnem-se Cortes em Coimbra, onde o jurista João das Regras prova que, de todos os candidatos, o Mestre de Avis é quem tem direito a ser rei de Portugal.

O rei de Castela, sabendo da aclamação de D. João como rei, invade de novo Portugal, travando-se então a Batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), tendo vencido os portugueses, apesar de serem em menor número.

Para comemorar esta vitória, D. João I mandou construir o mosteiro da Batalha.

 

A consolidação da independência

Tudo o que se passou entre 1383 e 1385 provocou profundas alterações na sociedade portuguesa.

Parte da nobreza que apoiara D. Beatriz fugiu para Castela, perdendo  bens e privilégios. Os que apoiaram o Mestre de Avis foram recompensados com terras e títulos de nobreza e a burguesia passou a ter como tanto queria, mais influência na política do país.

Como disse Fernão Lopes, surgiu "outro mundo e nova geração de gentes".

D. João I, que dá início à segunda dinastia - a Dinastia de Avis - fez um tratado de amizade com Inglaterra (o mais antigo tratado da Europa) e casa com D. Filipa de Lencastre (da família real inglesa).

Em 1411 é finalmente assinado um tratado de paz com Castela.

Resolvida a crise política, faltava agora resolver a crise económica.

Portugal, com esta "nova geração de gentes", vai iniciar a grande aventura dos Descobrimentos.

 

 

Para melhorar a situação da agricultura e evitar o abandono dos campos, D. Fernando publicou a Lei das Sesmarias: obrigava todos os donos de terras a fazê-las cultivar, sob pena de ficarem sem elas, e obrigava mendigos e vadios a trabalharem, sobretudo na agricultura.

 

Para proteger o comércio externo, fundou a Companhia das Naus: uma espécie de seguro destinado aos que perdessem os barcos.

Contudo, a situação do país agrava-se com a morte de D. Fernando, em 1383.

 

 

A crise política

 

Quando D. Fernando morre, sua filha D. Beatriz estava casada com o rei de Castela. O acordo de casamento (acordo de Salvaterra), para garantir a independência de Portugal,  previa que, até o filho de D. Beatriz ter catorze anos, seria regente D. Leonor Teles.

D. Leonor manda aclamar D. Beatriz como rainha e tem como conselheiro um fidalgo galego: o Conde Andeiro.

Esta situação, aliada às dificuldades económicas, vai dividir a sociedade portuguesa: de um lado, a maioria da nobreza e do clero aceitam D. Beatriz como herdeira legítima; do outro, o povo e, sobretudo, a burguesia, não a aceitam e revoltam-se, receando a perda da independência do reino.A burguesia, chefiada por Álvaro Pais, e tendo do seu lado o povo de Lisboa, prepara então uma conspiração para matar o Conde Andeiro e escolhe D. João, Mestre de Avis, para executar essa tarefa.

O Mestre de Avis tinha fácil acesso ao Paço da Rainha uma vez que era filho (ilegítimo) do rei D. Pedro.

  Posição dos grupos sociais na Revolução de 1383/1385

·        Clero / Nobreza : apoiavam D. Beatriz e o rei de Castela.
·        Burguesia / Povo:  “           D. João Mestre de Avis (Regedor e Defensor do    Reino).

-Lembras-te quem foi D. Nuno Álvares Pereira? Clica na imagem

 
Foi do casamento da filha de D. Nuno Álvares Pereira com o filho de D. João I, Mestre de Avis que nasceu a casa de Bragança.
Lembraste qual era o nome do filho bastardo de D. João I, Mestre de Avis?

 

 

 

Palavras Cruzadas:

 

D. João I, rei de Portugal (5º ano)
460>_630229

 

 

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publicado por ana às 23:00

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