Terça-feira, 17 de Março de 2009

AS GRANDES VIAGENS

 

Até ao século XV, os europeus tinham um conhecimento limitado do mundo: apenas conheciam parte da África e da Ásia; a América e a Oceania eram totalmente desconhecidas.

Por outro lado, o Oceano Atlântico era conhecido como um "mar tenebroso" povoado de monstros marinhos que engoliam os barcos. Também os seres que povoavam as terras distantes eram imaginados como seres disformes, muito diferentes dos europeus. Todas estas lendas criavam muito medo nos navegadores...

Foi, por isso, uma grande e corajosa aventura os descobrimentos marítimos que os portugueses iniciaram no século XV.

 

 

A CONQUISTA DE CEUTA

Assinada a paz com Castela, em 1411, D. João I procurou resolver os problemas do reino que estava pobre.

As conquistas no Norte de África surgiram como uma solução: agradavam à nobreza que procura a guerra como forma de obter honra, glória, novos cargos e títulos; agradavam ao clero pois era uma forma de combater os Mouros, inimigos da religião cristã; agradavam à burguesia pois assim poderia controlar a entrada do Mar Mediterrâneo e o comércio de escravos, ouro, especiarias e cereais.

Assim, em 1415, uma poderosa armada comandada por D. João I tomou a cidade de Ceuta.

Contudo, os Mouros desviaram as rotas comerciais para outras cidades do Norte de África. Ceuta tornou-se uma cidade cristã isolada e constantemente atacada.

Os Portugueses iniciam então as viagens por mar na esperança de chegar ao local de origem do ouro e das especiarias.

 

 

 

A descoberta da costa africana: até à Serra Leoa (1460)

D. João I confiou ao Infante D. Henrique, seu filho, a coordenação da expansão marítima.

Foram contratados navegadores e cartógrafos experientes e o Infante passou a viver em Lagos e Sagres. Do Algarve partiam os barcos que descobriram os arquipélagos da Madeira e dos Açores, e a costa africana a sul do Cabo Bojador, para além do qual nunca se tinha navegado.

No contacto com as populações da costa africana, os portugueses escravizaram homens, mulheres e crianças, obtendo grandes lucros com o comércio de escravos.

Quando o infante D. Henrique morre, em 1460, já os Portugueses conheciam a costa africana até Serra Leoa.

 

 

ano terra descoberta descobridor
1419 Madeira e Porto Santo João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira
1427 Açores Diogo de Silves
1434 Cabo Bojador Gil Eanes
1436 Pedra da Galé e Rio do Ouro Afonso Baldaia
1443 Arguim Nuno Tristão
1456 Cabo Verde Diogo Gomes e Cadamosto
1460 Serra Leoa Pedro de Cintra

 

 

Caravela - puzzle

 

 As viagens ao longo da costa africana realizaram-se primeiro em barcas, depois em caravelas.

As caravelas eram navios ligeiros, rápidos, capazes de navegar em todas as águas e com todos os ventos. De casco muito leve, com um castelo na popa, tinham em geral três mastros. As suas velas triangulares permitiam-lhes bolinar, ou seja, navegar com ventos contrários. A vela triangular tomou o nome de vela latina.

Em caso de necessidade a tripulação - em geral quarenta a cinquenta homens - podia utilizar remos. Para se orientarem nos mares do Sul, os navegadores desta época dispunham apenas da bússola, de algumas cartas de marear que os antecessores tivessem elaborado e de sondas para avaliarem a profundidade das águas. Além disso, só a própria experiência, a passo e passo adquirida, e a intuição lhes serviam de guia no mar desconhecido.

in L. Albuquerque, A. M. Magalhães, I. Alçada,

Os Descobrimentos Portugueses, vol. I, ed. Caminho

 

 

 

 

A descoberta da costa africana: da Serra Leoa ao Cabo da Boa Esperança

 

  

A passagem do Cabo da Boa Esperança

 

"... e vieram a dar com o maior cabo que no mundo se descobriu (...)

Ora foram tão cruas as tempestades que os nossos padeceram, que a cada passo perdiam esperanças de salvamento: donde veio porem-lhe o nome de Cabo das Tormentas.

Assim que o dobraram e o assinalaram, voltaram para trás. Logo que ao senhor rei D. João foi explicado o feito, ficou tão alvoroçado que dava já por aberta a estrada para a Índia; e, comovido do feliz acontecimento, lhe impôs o nome de Cabo da Boa Esperança.

D. Jerónimo Osório, Vida e Feitos de El-rei D. Manuel

 

 

A viagem de Cristóvão Colombo e o Tratado de Tordesilhas

 

Passado o Cabo da Boa Esperança, quando D. João II já preparava a viagem para a Índia, Cristóvão Colombo, navegador genovês, propôs-lhe atingir a Índia mas navegando para ocidente. Como o nosso rei já tinha a certeza que a rota para oriente era mais curta, recusou. Cristóvão Colombo procura então a ajuda de Castela que aceita.

Em 1492, Colombo chega às Antilhas, ilhas da América Central. Descobre assim a América, pensando ter chegado à Índia.

Esta descoberta origina um grave conflito entre Portugal e Castela: D. João II exige a posse destas novas terras, de acordo com o Tratado de Alcáçovas (1480) que estabelecia que pertenciam a Portugal todas as terras a sul das Ilhas Canárias.

 

Com a intervenção do Papa, estabelece-se então um novo acordo, em 1494: o Tratado de Tordesilhas.

O Mundo foi dividido em em duas partes por um meridiano a cerca de 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde:

as terras descobertas a oriente desse meridiano seriam portuguesas;

as terras descobertas a ocidente, seriam castelhanas.

 

 

 

 

 

A chegada à Índia e ao Brasil

 

D. Manuel, sucessor de D. João II, vai continuar a apoiar os Descobrimentos.

Em Julho de 1497 parte de Lisboa uma armada, comandada por Vasco da Gama, com destino à Índia. Depois de cerca de dez difíceis meses de viagem chega a Calecute, na Índia. Estava descoberto o caminho marítimo para a Índia.

De início, os portugueses foram bem recebidos. Porém, os Muçulmanos recearam perder o monopólio do comércio das especiarias e começaram a hostilizar os portugueses.

 

 

 

 

D. Manuel, em 1500, envia então uma poderosa armada de treze navios, chefiada por Pedro Álvares Cabral, para impôr o nosso domínio no Oriente.

Perto de Cabo Verde, Pedro Álvares Cabral desvia a sua rota para ocidente, de modo a evitar os ventos contrários; chega então à Terra de Vera Cruz, depois chamada Brasil. Informa o rei, e continua viagem para a Índia.

 

 

 

 

O império português no século XVI

 

A colonização da Madeira

 

"Esta ilha mandou-a o Infante D. Henrique povoar pelos Portugueses sem que até então tivesse sido habitada. Chama-se ilha da Madeira porque, quando foi descoberta, não tinha palmo de terra que não estivesse coberto de grandíssimas árvores, sendo necessário aos primeiros que a quiseram habitar pôr-lhe fogo.

Tem terrenos muito frutíferos e abundantes (...) belíssimas fontes (...). O ar é quente e temperado, de tal modo que jamais faz frio."

Cadamosto (navegador italiano do séc.XV), Primeira Navegação (adaptado)

 

O Infante D. Henrique iniciou a colonização da Madeira e Porto Santo dividindo-as em capitanias. Aos capitães-donatários competia defender, povoar e explorar os recursos naturais das ilhas.

Os colonos, vindos sobretudo do Algarve e Minho, mas também do estrangeiro, dedicaram-se à agricultura, pesca e criação de gado. Os produtos mais importantes foram o vinho, o açúcar, os cereais, as plantas tintureiras e a madeira (importante para a reparação dos navios que aí faziam escala).

 

A colonização dos Açores

 

"O Infante D. Henrique mandou para ocidente buscar terra firme. E, a 270 léguas de Lisboa, acharam uma ilha, que agora se chama de Santa Maria, despovoada, com muitos açores, e viram outra e foram a ela, que agora se chama S. Miguel, também despovoada e cheia de açores. Daí viram outra ilha, agora chamada Terceira, e outras, todas com muitos açores.

Lançaram ali muitos animais, tais como porcos, vacas, ovelhas, dos quais há aí uma multidão, de modo que todos os anos de aí trazem muito gado para Portugal.

Igualmente há aí tanta quantidade de trigo que todos os anos ali vão navios e trazem trigo para Portugal."

Diogo Gomes, Relação dos Descobrimentos (séc. XV)

 

Também nos Açores se utilizou o sistema de capitanias para a colonização. O seu povoamento foi porém mais lento devido à grande distância a que se encontravam do continente.

As principais actividades dos colonos nas ilhas dos Açores eram a agricultura e a criação de gado; as principais riquezas deste arquipélago, nesta época, eram os cereais, o gado bovino e ovino e as plantas tintureiras (pastel, urzela e dragoeiro).

 

 

 

O império português no século XVI - Os territórios em África

 

(...) vieram os naturais da terra nas suas embarcações e trouxeram-nos as suas mercadorias, a saber (...) dentes de elefante e uma porção de malagueta em grão (...). No outro dia vimos gentes (...) e chegámos até próximo e fizemos paz com eles (...). E aí recebi uma certa quantidade de ouro, em troca das nossas mercadorias, a saber: panos, pulseiras de cobre, etc.

Diogo Gomes, Relação dos Descobrimentos da Guiné, séc. XV (adaptado)

 

 

 

O principal objectivo dos portugueses, em África, era controlar todo o comércio do ouro, malagueta, marfim e escravos, isto é, ter o seu monopólio. Tiveram, para isso, que vencer a concorrência dos Muçulmanos que também comerciavam esses produtos.

Construíram então, no litoral, feitorias, isto é, armazéns fortificados, dirigidos por um feitor: aí armazenavam os produtos africanos que os indígenas traziam do litoral para a costa e que trocavam por trigo, sal, panos coloridos e bugigangas. Praticava-se pois a troca directa.

 

 

 

 

O império português no século XVI - Os territórios na Ásia

 

   

A descoberta do caminho marítimo para a Índia permitiu aos portugueses passar a comerciar os preciosos produtos do oriente. Chegavam em maior quantidade e mais baratos, uma vez que não havia intermediários.

Porém, era preciso assegurar o domínio de alguns portos e cidades e prevenir os ataques dos muçulmanos, povo que anteriormente assegurava o comércio dessas mercadorias por terra. Para tal, D. Manuel nomeou vice-reis.

O primeiro foi D. Francisco de Almeida que tentou dominar os mares e estabelecer acordos com os chefes locais. O segundo foi Afonso de Albuquerque que conquistou as cidades de Goa, Ormuz e Malaca.

A partir da Índia os portugueses chegaram à China, ao Japão   e às ilhas de Timor, Indonésia, Molucas. As naus portuguesas vindas da Índia (carreira da Índia) chegavam a Lisboa carregadas de especiarias, panos de seda e porcelanas da China, tapeçarias da Pérsia, madeiras exóticas, perfumes...

 

 

 

Depois da morte do Infante D. Henrique, o rei D. Afonso V entregou a exploração da costa africana a um rico burguês, Fernão Gomes. Este comprometia-se a descobrir, por ano, cerca de cem léguas de costa em troca do direito de comerciar naquela zona. D. Afonso V, por influência da nobreza, preferiu combater os Mouros no Norte de África.

Mas D. João II, seu filho, apercebendo-se das grandes riquezas da costa africana (ouro, escravos, marfim) deu grande impulso às descobertas marítimas, passando a dirigi-las.

O grande objectivo era descobrir a passagem para o Oceano Índico para alcançar a Índia - local de origem das especiarias. Foi Bartolomeu Dias, em 1488, quem dobrou pela primeira vez o Cabo das Tormentas, depois chamado da Boa Esperança.

 

ano terra descoberta descobridor
1471 Mina marinheiros ao serviço de Fernão Gomes
1471-72 S. Tomé e Príncipe João de Santarém, Pedro Escobar, Fernão Pó
1474 Cabo de Santa Catarina marinheiros ao serviço de Fernão Gomes
1482 Foz do rio Zaire Diogo Cão
1485-86 Serra Parda Diogo Cão
1488 Cabo da Boa Esperança Bartolomeu Dias

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Conhece os piratas que atacavam as naus nos mares e clica na imagem...

 

 PIRATA DE PERNA DE PAU, OLHO DE VIDRO E CARA DE MAU...

 

Desde sempre existiram salteadores no mar. Umas vezes ao serviço dos reis, outras por iniciativa própria, os piratas assaltavam os barcos para roubar e pilhar as riquezas transportadas. Mas a pirataria dos grandes tesouros, que a imaginação dizia estarem escondidos, em ilhas e registados em mapas, só surgiu a partir do séc. XVIII. Aventureiros e destemidos, os piratas tinham fama de se embriagarem com rum e serem cruéis sanguinários.

 

 

 

 

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Descobrimentos Portugueses

 

 


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Portugal tem um valioso e rico património arquitectónico que nem sempre é possível visitar.
 
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. Vê este vídeo de Banda Desenhada sobre a Descoberta do Brasil! Genial!!

 

. Cronologia dos Descobrimentos portugueses

 

. Observa também este vídeo sobre os Descobrimentos. Tem imagens muito interessantes...

 

 

Visita uma Nau Quinhentista

Que melhor maneira de começar o ano lectivo do que visitar uma réplica de uma Nau portuguesa utilizada durante os descobrimentos... Podes ver 4 pequenas animações do interior dessas naus.
 
 
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Reis de Portugal
 
1ª Dinastia (Afonsina)
Imagem
Nome
Cognome
Nascimento / Morte
Factos do reinado
O Conquistador / O Fundador
1108 - 1185
Foi o primeiro rei de Portugal e conquistou território até Lisboa e Alentejo.
Reinou entre 1143 e 1185.
D. Sancho I
O Povoador
1154 - 1211
Conquistou Silves e passou a chamar-se «Rei de Portugal e dos
publicado por ana às 22:49

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